terça-feira, 22 de setembro de 2009


Permita-me





O medo que mais nos aflige quase sempre é desnecessário.

Criamos monstros para temê-los, produzimos os fantasmas das dúvidas que nos fazem rolar pela cama durante as noites de insônia, demoramos a perceber que esperar soluções para problemas inventados só vão acarretar lágrimas e rugas desnecessárias, e quando notamos, já amanheceu...
E por falar em noites perdidas, para onde vão os sonhos que não se realizam?
As palavras que não dizemos, os abraços que esquecemos, os passos que se desperdiçaram...
A quem pertence a história que não escrevemos ou o futuro que tinha tudo para acontecer, mas se perdeu?
Posso falar de mim? Daquilo que mudou em meus olhos quando eles choraram?
Posso compor sobre as dúvidas, medos e preocupações que consomem meus dias frente a um castelo de cartas pronto para desmoronar?
Todavia dissipo mais uma noite nesta inquisição: haveram castelos que não seguiram o caminho da ruína?
Estarão vivos os fios de esperança alada que haviam se perdido no vento?  Será que a utopia vem se instalar entre as palavras que serão ditas, os abraços que serão dados e os passos que buscam um caminho sincero?
Mais receios que dão origem aos meus monstros íntimos que serão alimentados com minhas dúvidas dotadas de aflição.
Mais dúvidas...
Posso falar de nós?

Permita-me falar de sonhos.
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