domingo, 11 de outubro de 2009


Mesa de bar




Eram quase quatro da manhã quando o rapaz pediu autorização para se sentar ao meu lado, moço simpático, inteligente, bom papo, o desinteresse era meu:

- Eu te conheço lá da faculdade sabia? To aqui puxando papo contigo pra me apresentar mas eu já te observo faz um tempão.

 Minha cara de vazio...

- Ah, verdade?

- É sim, te achei muito bonita a primeira vez qu te vi toda serelepe pelo corredor, só que vc namorava um cara bombadinho do 6º.

Bola fora do cara, falar de ex é desanimar (maaaaais ainda) o papo.

- é, namorava... 

- E agora, namora alguém?

- Não né... se não eu não estaria aqui  sozinha as 4 da manhã!


- Podia estar dando o perdido, uma moça que nem você é difícil de segurar

- Será?

Nasce um sorriso safado no rosto do moleque.

- Deve ser, se quiser eu te amarro!

Eu ignoro.

- Não, obrigada! Estou bem assim!

Ele insiste.

- Porque você é tão má comigo? Dá uma chance, um beijinho.

Avanços sobre meu corpo, eu me esquivo.

- Desculpa mas eu não to afim.

Já viram fora mais educado?
Ele não responde a altura

- Olha aqui, na hora que você pegar um homem como eu, você vai parar de ser tão pertubada garota.

Fuzilou –me  com o olhar, fez menção de se levantar, aguarda alguns segundos, deve achar que vou impedi-lo de sair da mesa. Não perco o ar maquiavélico e estampo um sorriso sínico no rosto que diz "adeus", ele se rende, levanta e vai cabisbaixo ciscar em outras mesas, logo se inspira com uma ruiva próxima. Homens...

Mas em uma coisa devo concordar com o projeto de flerte...

Estou pertubada...  Logo eu, que nunca havia reparado no som da ausência, ou no gosto da mágoa ...

São as saudades de você.
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